Desenvolvimento pessoal

A importância de experimentar

A importância de experimentar

Procuramos o sucesso no trabalho e a felicidade na vida. Porém, não existem fórmulas mágicas e a única forma de saber o que queremos é experimentando e errando.

O trabalho ocupa grande parte da vida, por isso é que as pessoas dão muita importância à felicidade no trabalho.

Na carreira, o sucesso parece que é começar e chegar a um cargo de topo. É algo que os nossos pais nos ensinaram: trabalhar muito para chegar mais longe, ganhar mais dinheiro, ter mais estabilidade.

Nesta visão, há uma preocupação em “seres alguém na vida”. Assim, quando arriscas, trocas um trabalho certo para algo novo, mudas de área ou até inicias a tua própria empresa, existem muitas vozes que se levantam. Estão preocupados se tens formação para abraçar novos desafios, se a empresa é sólida, se vais ganhar mais, qual é o teu plano de crescimento.

O verdadeiro medo que temos é sair da zona de conforto. O ser humano é preguiçoso e não gosta de adversidade. Assim, todos os dias lutamos para estarmos confortáveis. Se há algo que interfere com o nosso equilíbrio, então ficamos chateados e queremos que “tudo volte ao normal”.

Contudo, não sair da zona de conforto é também não crescer.

Na vida e na carreira, é preciso experimentar

Nos últimos anos, cada vez mais jovens ficam ansiosos com a sua primeira experiência de trabalho.

Infelizmente ouviram todos os tipos de histórias positivas e negativas sobre o mercado de trabalho e as empresas. O sonho é muitas vezes estar numa boa empresa com um excelente salário, oportunidades de carreira, benefícios e uma especial atenção à formação.

Contudo, a realidade é bem mais complexa. Os CVs são enviados, mas as entrevistas não chegam. Fazes mais formações, mas ninguém nota. Queres uma experiência, mas “só te calham” empresas pequenas que não sabem bem o que podem fazer.

Mas acredita, há quem comece pequeno e consegue construir algo diferente. Como? Experimentando.

Experimentar é, tal como diz o dicionário, “verificar por meio de experiência”. Há outras definições como ensaiar, provar, tentar. Mas a definição que mais gosto é “ver se se pode conseguir”.

A nossa vida toda é uma sucessão de experiências novas e é muito fácil de ver isso nas crianças, quando começam a experimentar comida. Aquela conversa clássica que cada pai tem é excelente:

  • “Come os bróculos.”
  • “Não gosto”
  • “Mas já experimentaste?”
  • “Não…”
  • “Então como é que sabes se não gostas, se não experimentaste?”

Esta pequena experiência pode-te acompanhar em tudo. Queres aprender a tocar guitarra, dançar algo, fazer cocktails, fazer tricot ou pintar? Experimenta para ver se gostas. Vais aprender algo sobre ti. E se não gostares? Não tem problema, já sabes que não é para ti ou encontras outra atividade que te preencha mais.

Podes também aplicar este pensamento à tua carreira.

Existem milhares de empregos e empresas que não são a Google ou a Deloitte. Há várias oportunidades em empresas pequenas, em startups a arrancar ou até a criares o teu próprio desafio profissional como freelancer. Ao experimentares, consegues perceber melhor o que funciona para ti, o que valorizas.

Podes experimentar no início e também ao longo da tua carreira

Uma vez mudei de trabalho e disseram-me que estava na idade de experimentar, porque era jovem. 

Discordo totalmente desta visão. Experimentar é algo que deves fazer ao longo da vida, independentemente da tua idade ou como trabalhas.

A tua formação base é um ponto de partida para ires ao mercado de trabalho. Certamente se te formaste em Sociologia, queres trabalhar na área. No entanto, deves ver mais além e estar aberto a diversas opções. 

Aplica este princípio na tua carreira. O teu trabalho de agora pode ser um primeiro passo para outras experiências. 

Aliás, foi assim que fui construindo o meu percurso.

Sou licenciada em Jornalismo, mas a minha primeira experiência profissional foi em Vendas. Depois, fui para um departamento de Marketing fazer parcerias e escrever conteúdos; e comecei a gerir variados projetos de Comunicação, ajudando também na parte de Relações Institucionais.

Três anos depois, saí da zona de conforto e fui para uma startup. Mudei de funções (área de operações) e estou a aprender a gerir projetos com pessoas diferentes, missões diferentes, maneiras de gerir diferentes. E em cada uma dessas experiências levo coisas comigo – porquê? Porque experimentei. 

Se não saísse da minha zona de conforto, continuava a procurar trabalho em jornalismo. Experimentei vendas porque podia ser um bom desafio. Ao perceber que gostava de escrever conteúdos, fui para a área de marketing. E ao perceber que tinha jeito para gerir projetos, procurei outra aventura.

Foi ao experimentar que soube no que era boa, para além de escrever. Experimentei e descobri que era boa noutras competências. Toda a minha carreira é baseada nisso: não ter medo de mudar, sabendo o que já estás a construir.

As vantagens de experimentar

Sair da zona de conforto parece que traz mais desvantagens do que vantagens. Vais para o desconhecido, não tens informação para te preparares suficientemente e algo que é novo comporta sempre alguma incerteza.

Contudo, essas desvantagens são transformadas em vantagens assim que começas a aventura.

O facto de ser novo permite-te conhecer algo novo sobre ti. Por ser algo diferente, expandes os teus conhecimentos. O desconhecido é um parque infantil para o teu cérebro ser estimulado e desafiado, motivando-te a trabalhar melhor.

Por fim, o diferente permite-te ser mais criativo e a tua vida só tem a ganhar com isso. Ultrapassar pequenos obstáculos ajuda na tua auto-confiança, tomando decisões que têm mais a ver com os teus valores.

No fundo, experimentar é um exercício de desenvolvimento pessoal de auto-conhecimento. O teu percurso profissional é mais rico e pode-te ensinar muito sobre a tua pessoa, se fores exposto a diferentes realidades.

Como experimentar na tua carreira, fazendo boas escolhas

Fazer experimentações na tua carreira tem de ser feito com algum objetivo em mente, sob pena de estares apenas a “colecionar cromos” e não saberes bem o que queres ou do que gostas.

O mesmo passa na tua vida pessoal. Podes ter vários hobbies e uma vida muito ativa, mas estar ocupado não quer que te sintas feliz com o teu dia-a-dia.

Na parte profissional, há algumas dicas que podes seguir para experimentar e arriscar:

Conhece pessoas que têm o cargo que gostarias de ter

Podes ver o seu percurso e contactá-las no LinkedIn. Pergunta-lhes como é o seu dia-a-dia e se é algo que gostarias de fazer. Haverá sempre tarefas chatas, mas pega no exemplo geral.

Pesquisa sobre novas funções

Há novas profissões todos os dias. Pesquisa no Google as várias opções que tens e qual é que se enquadra em ti.

Escolhe indústrias

Às vezes, até gostas do trabalho, mas não te revês no propósito da empresa ou nos produtos. Uma indústria pode ter valores que concordam com aquilo que queres trabalhar na tua carreira.

Abre o leque de opções

Queres trabalhar em marketing, mas em que especialidade? Junta skills generalistas com conhecimentos especialistas para aumentar os teus conhecimentos. Podes também trabalhar em vários projetos ou criar um blog para criar prática.

Faz um ponto de situação passado um ano

Para não estares sempre a experimentar e a pular de sítio em sítio, fica numa função ou empresa durante um ano e percebe o que gostas, como podes evoluir e o que vais trabalhar para melhorar.

Constrói passo a passo

Não fiques ansioso se escolheste algo que afinal não gostas. Pensa como é que essa experiência vai-te ajudar no próximo passo.

Define o teu dia ideal

Assim consegues perceber o que gostarias de fazer e como escolher um próximo desafio profissional.

O que te deixa desconfortável?

Esta é uma pergunta-chave para saberes no que podes arriscar. Pois é fora da zona de conforto que vais ganhar novas skills e enfrentar novos desafios.

Descobre qual é o pior cenário

Em qualquer mudança, há algo que podes perder. Ao mudares de trabalho, lembra-te sempre qual é o pior cenário (desde que não seja ficar sem pagar as contas). As tuas decisões têm consequências e, se souberes o pior que pode acontecer, consegues preparar-te e arriscar de forma consciente.

O resumo é simples: não tenhas medo de experimentar. Quando confrontado com uma oportunidade, pensa se é interessante, se se enquadra nos teus valores, o que te pode ajudar a crescer, qual é o pior que pode acontecer e racionaliza o teu medo. Muitas vezes as oportunidades inesperadas revelam-se em experiências extraordinárias – para a tua carreira e para a tua vida. Arrisca, experimenta!


Sobre a autora: Rita Martins Amaral

É licenciada em Jornalismo, porque adora escrever, mas a vida tinha outros planos para si. Com experiência em Vendas, Marketing Digital, Content Writing, Parcerias e Comunicação Institucional, hoje é Project Manager numa startup. Escreve no seu blog Erre Grande há cinco anos sobre desenvolvimento pessoal, carreira, entre outros temas.

Linkedin: www.linkedin.com/in/ritamartinsonline/

By Daniela Grácio Santos

Especialista em Marketing Digital. Eterna amante de histórias. Fã de conversas intermináveis.

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